sexta-feira, 4 de abril de 2014
"Pagãos"
eu sou um Coven
você as cerejeiras
eu junto os ventos
você traz as estrelas
eu risco o círculo
você invoca os Anciãos
nós dois dançamos ao redor da fogueira
eu piso as uvas
você fermenta o vinho
ambos celebramos Dionísio
Eu canto para as fadas
você traz os gnomos
você sobe na árvore mais alta
pra encontrar a folha mais rara
eu te observo, entoando cânticos secretos
ambos nos unimos aos elementos
somos um só
alquimia única
magia perfeita
poção
você e eu
num mesmo caldeirão
Priscila Modanesi
sexta-feira, 28 de março de 2014
MUDANÇAS
Um dia alguém me disse, não me lembro quem: para se encontrar é preciso se perder!
Sempre duvidei e intimamente tive medo de perder, afinal quem não tem?
e o tempo passou, a frase ficou perdida no meio de tantas outras de efeito, se efeito...
um dia perdi, ou antes, achei que perdi...
o inevitável sofrimento calou minha alma por muitos dias.
aos poucos, a dor foi assentando, a ferida parou de sangrar e notei que ao lado da porta fechada havia uma janela ampla... um tanto desgastada pelo desuso... eu só buscava meus caminhos através das portas, havia esquecido na sabedoria adulta que há janelas, espelhos, guarda-roupas, tocas... há uma série de outras coisas que nos levam a 'mares nunca antes navegados' (valeu, Camões)...
e sem escolha, deixei que o não saber fosse mina bússola
e vi que o não saber também é bom
cria expectativas
traz novidades
agita o coração
o não saber nos permite sonhar
fazer planos sem muitas cobranças
Eu me perdi sim... Se me encontrei de verdade ainda não sei, nem nunca saberei, mas agora tenho variadas formas de buscar caminhos, tenho um labirinto de estradas, um arco-iris no horizonte, uma estrada de tijolos amarelos, verdes e azuis... tenho o infinito e as manhãs que renascem trazendo consigo as possibilidades de mudança. SEMPRE.
Priscila Modanesi
Sempre duvidei e intimamente tive medo de perder, afinal quem não tem?
e o tempo passou, a frase ficou perdida no meio de tantas outras de efeito, se efeito...
um dia perdi, ou antes, achei que perdi...
o inevitável sofrimento calou minha alma por muitos dias.
aos poucos, a dor foi assentando, a ferida parou de sangrar e notei que ao lado da porta fechada havia uma janela ampla... um tanto desgastada pelo desuso... eu só buscava meus caminhos através das portas, havia esquecido na sabedoria adulta que há janelas, espelhos, guarda-roupas, tocas... há uma série de outras coisas que nos levam a 'mares nunca antes navegados' (valeu, Camões)...
e sem escolha, deixei que o não saber fosse mina bússola
e vi que o não saber também é bom
cria expectativas
traz novidades
agita o coração
o não saber nos permite sonhar
fazer planos sem muitas cobranças
Eu me perdi sim... Se me encontrei de verdade ainda não sei, nem nunca saberei, mas agora tenho variadas formas de buscar caminhos, tenho um labirinto de estradas, um arco-iris no horizonte, uma estrada de tijolos amarelos, verdes e azuis... tenho o infinito e as manhãs que renascem trazendo consigo as possibilidades de mudança. SEMPRE.
Priscila Modanesi
quarta-feira, 26 de março de 2014
Palavras de um Amigo
Esse texto escrito por uma amigo, Bruno Ferrari, muito bonito, que me tocou bastante!
Certo. Cedi. Guardo na gaveta o papel e a caneta predileta, e deixo dissolver cloridricamente o apego.
Gosto de escrever só com o pensamento, sem anotar nada. Gosto de correr com as palavras, pra ver se elas me alcançam.
Um dia, eu vou pensar, e o poema se há de traduzir, transliterar e registrar sozinho. A mente é mais rápida que a linguagem.
Um dia, vou parir um poema que não terá verso. A métrica e a rima já as abandonei há tempos; no meu próximo poema vou deixar também o verso. Não haverá palavra.
Não haverá imagem. Nem som. Nem forma.
Mas será todo uma metáfora, um despejamento de luz gratuito e não traduzido, não contido, não mediado, sem rédea nenhuma. Um poema nu.
Um poema plural, o sentimento poético inteiro, sem o filtro das poucas palavras que conheço. Será um poema sobre-humano? Ou justamente por não me passar pelas mãos, falaria abertamente de minha humanidade? Gesto este poema. Quando lher der à luz, será ele quem me iluminará. Sem versos me iluminará. Que destas orgias em meu cérebro nasça um rebento de luz!
Que assim seja e continue sendo!
terça-feira, 25 de março de 2014
CORTE FRIO
extremos baldios
cansaços doentios
o vai que vem
chega nunca
espero no limiar
um sentimento vazio
um dia acreditei
um dia quase
a rainha de copas gritou
CORTEM-LHE A CABEÇA
cabeças rolaram
ficou o vazio
nada de pensamentos
nem devaneios
escadas abaixo
cabeças e ideias
cabelos e sonhos
num segundo
de corte frio
do aço no pescoço
depois: o vazio!
Priscila Modanesi
cansaços doentios
o vai que vem
chega nunca
espero no limiar
um sentimento vazio
um dia acreditei
um dia quase
a rainha de copas gritou
CORTEM-LHE A CABEÇA
cabeças rolaram
ficou o vazio
nada de pensamentos
nem devaneios
escadas abaixo
cabeças e ideias
cabelos e sonhos
num segundo
de corte frio
do aço no pescoço
depois: o vazio!
Priscila Modanesi
segunda-feira, 24 de março de 2014
PERFORMANCE EM JUNDIAÍ
Nesta quinta-feira, dia 27 de março, Jundiaí comemorará através da Secretaria de Cultura e dos artistas da cidade o DIA DO TEATRO E DO CIRCO.
O Núcleo Híbrido de Pesquisa Cênica, do qual faço parte, apresentará a Performance
"O MENINO QUE CARREGAVA ÁGUA NA PENEIRA
ou OVO DE LOBISOMEM NÃO TEM GEMA"
Que é uma pesquisa que parte do universo de Manoel de Barros para compor seus signos e imagens!
Quem quiser, está mais que convidado! Será na Praça da Matriz de Jundiaí, por volta de 17h.
O Núcleo Híbrido de Pesquisa Cênica, do qual faço parte, apresentará a Performance
"O MENINO QUE CARREGAVA ÁGUA NA PENEIRA
ou OVO DE LOBISOMEM NÃO TEM GEMA"
Que é uma pesquisa que parte do universo de Manoel de Barros para compor seus signos e imagens!
Quem quiser, está mais que convidado! Será na Praça da Matriz de Jundiaí, por volta de 17h.
domingo, 23 de março de 2014
SANGUESSUGA
De sanguessuga fiquei tão farta
sugaram tudo... não sobrou nada
agora, os obesos senhores seguem suas vidas
obesos do meu sangue
obesos do meu tempo
obesos da minha "genialidade"
que agora é coisa do passado
O ciclo do sanguessuga não tem um período certo de existência
sugaram tudo... não sobrou nada
agora, os obesos senhores seguem suas vidas
obesos do meu sangue
obesos do meu tempo
obesos da minha "genialidade"
que agora é coisa do passado
O ciclo do sanguessuga não tem um período certo de existência
na verdade, depende da sua resistência
o quanto você tem pra oferecer...
o quanto sabe driblar os problemas deles
superar frustrações
ganhar bônus, prêmios...
Até aí o sanguessuga está com você
Mas há um período no ciclo do sanguessuga
em que ele percebe que você está meio caído
pra baixo
sem tantas invenções mirabolantes
e é nesse momento que o hospedeiro resolve levantar acampamento
e leva com ele tudo...
Mas, por princípios, o danadinho não diz a ninguém que te sugou
ele toma pra si as verdades e as propaga, assina embaixo
ele tem ideias inovadoras, faz novos círculos, cria expectativas
ganha seus trocados, o rei da festa
de vez em quando, pode ser que o sanguessuga tope com você...
Mas não, não espere reconhecimento, afinal, sanguessugas são vermes
o que esperar dessa espécie?
Priscila Modanesi.
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