quinta-feira, 20 de março de 2014
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
em prantos.
Muitos são os motivos para chorar, mas um bem maior bloqueia as lágrimas... os pensamentos viajam para vales sombrios, abro as janelas, mas ta tudo escuro.
Muitos são os motivos para desistir de tudo. há apenas uma brecha que me faz ficar.
Há tanto tempo, essa aflição. nem sei definir mais a situação.
Não queria escrever sobre isso. mas preciso desafogar. desaguar pra algum canto, to transbordando.
Escrever é expurgar; as noites estão insones. os dias preguiçosos.
Às vezes peço um anjo. Uma proteção. Acho que minha fé é pouca. Ou nula.
Tento me inspirar em pessoas leves... felizes...
Mas esses tempos são de guerra. O fato é que eu devo esquecer. Como?
As lembranças doloridas insistem em arder.
Amanhã... Amanhã... Amanhã...
é o que ouço: espere o amanhã....
Há meses espero o amanhã;;;
sábado, 21 de dezembro de 2013
CENSURADA
Lhe arrancaram as palavras mais geniais.
No more.
Seu status rapidamente foi precipício abaixo
Dentes rasgaram sua pele
mas a boca fechada, forever.
ou pelo menos até que as cicatrizes se acalmem
No more.
Seu status rapidamente foi precipício abaixo
Dentes rasgaram sua pele
mas a boca fechada, forever.
ou pelo menos até que as cicatrizes se acalmem
domingo, 6 de outubro de 2013
POEMA DA REVOLUÇÃO GRAMATICAL
Um
registro de idéias, num flash epopéias
Muitas!
São centopéias,
Um
cêntuplo de pensamentos
Centúria
a lutar contra preconceitos
Um
cêntimo por esse silêncio
Displicência
centenária nos trejeitos
Resvala
o dó, o sol, centavos a velejo...
Meu
eu lírico é desigual, até casual
É
rouco, uma rima sensual
Despejada
em odes, odisséias
Mariposas
simétricas
Retilíneas
esconjurações
Designações
do meu eu-proposital
Sou
uma hipérbole com mil paradoxos
Superlativos
abstratíssimos!
Escrevo-me
ou descrevo-me, sou emergente
Transcendente
de um estilo literário
Nem
rótulos, nem catálogos
Enluarada,
ensolarada, intempestiva
Radioativa,
figuração, protagonista
No
caos das idéias iluministas!
Um
elo inebriante entre povo e governante
É
um sabor diverso experimentar tais gumes,
É
uma gota de sabedoria caindo n’alma
Em
um segundo apenas um minueto gracioso
Um
minuto de sobra,
Percorrer
muitos quilômetros num minuto-luz
Um
miríade de explicações e conotações
Sentimentos
momentâneos, duradouros
Centímetro
a centímetro
Olho
no olho,
Alcançando
a vida, diminuindo-a então
É
uma conseqüência lógica, mas nem sempre percebida
A
indignação mede muitos quilowatts,
Mas
tem sua força na inércia dos tempos
É
uma revolução quixotesca
Um
qüiproquó circense, mambembe
A
revolução é um peixe-voador
Que
de séculos em séculos arrisca pequenos vôos
Quimera
doce viver a anos-luz
Soletrando
o mi, o fá, notas múltiplas
Como
os dias, vividos em lupas
Flash-back,
lugar-comum, saudosismo natural
Um
vintém por uma hora a mais
Um
tostão para viver novas loucuras
Molecagens,
muitas travessuras
E
esquecer o presente que está falindo o futuro
Mais
uma cantiga de roda
Aquela
antiga rota
Que
nos conforta, nave especial,
Encubadouro
de filosofias!
Lusíadas,
troianos, muçulmanos
Reacionários,
ultra-humanos
Clonagem
lírica de gramáticas científicas
Ao
fim códigos, números, registros
Muitos
dólares, coração extinto
Por
enquanto ainda vivemos descomplicados
Construindo e bombardeando grandes telhados!
PRISCILA MODANESI
sábado, 5 de outubro de 2013
REZA O INFINITO
Nada como estar
preenchido de ideias
Ideias sem cor que
ganham formas com imagens
E soprá-las num
sorriso
Num início...
Desabrochar o
infinito
Desfrutar o destino
Sem sabê-lo
Mistério diário
Guardar as folhas que
caem no outono
Para refazer árvores
na primavera
Guardar o vento em
garrafas
Para espantar o calor
Deter a correnteza:
pernas e braços fortes
Dentes cerrados
Punhos fechados.
A água não vê a força
Ela vai...
Incansável para o seu
onde
A força da água mora
no invisível
Na transparência do
seu ser
Milhões de gotas
juntas para um só fim
A aura da água é
verde
Fôssemos como parte
dessas gotas
Jamais nos
sentiríamos sós
Ou fracos
Seguiríamos com a
correnteza
Para o onde da
natureza
A gente com a água
dança o rio
Canta a cachoeira
Ama os peixes
Reza o infinito.
PRISCILA MODANESI
LADAINHA DO NEGRO
Soa triste o
canto negro dos irmãos da minha Pátria
Voam longe os
dias em que ficávamos exaustos de dançar... apenas de dançar...
Ficou para trás
o horizonte, o nosso berço, a nossa liberdade
Ficaram as
marcas de aço e chicote em nossa pele
O gosto de
sangue, o cheiro da morte, o acorde das lágrimas
O mar abraçou
nossas feridas, mas não conseguiu curá-las
A honra, de tão
pisoteada, adormeceu em nossas almas
O canto
silenciou nas noites escuras
Os monstros
marinhos devoram os que não suportam
Os que sucumbem
à ganância e aos maus tratos
Oxalá, Oxalá,
olha por nós!
Traz-nos tua
força Guerreiro Ogum!
Que os pretos
d’Angola não aguentam mais chorar...
Esse chão que
recebe nossos pés é árido demais
O sol queima
nossa pele, quente demais
A água não mata
a sede, a comida não mata a fome
A escravidão nos
mata, Oxalá!
Oxalá, Oxalá
olha por nós!
Que os ‘preto’
‘tão tudo triste
A gente se olha,
a gente chora
A gente se cala
e calado se pergunta se a paz ainda existe!
TEXTO DE PRISCILA MODANESI
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