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sábado, 6 de fevereiro de 2021

 "Luiza"

Mulheres. Profissionais. Algumas mães. Umas casadas. Outras divorciadas. Homossexuais. Solteiras. Mulheres. Luizas. Atrizes. Potentes. Vivas.

Dizem que toda mulher já sofreu ao menos um tipo de abuso ao longo de sua vida e que muitas se calam essas experiências dentro de si e seguem suas vidas. Não é raro que desenvolvam algum distúrbio psicofísico, mas é comum que muitas não atribuam sua doença a todo esse sentimento e dor caladas no peito. Porém, quando se dão conta acontece uma transformação que fará com que elas jamais aceitem submeter-se novamente a determinados padrões de comportamento e subjugação de sua personalidade. Nada é mais importante que sua dignidade, amor próprio e bem estar e estar consciente disso é algo poderoso.

Julgamento e preconceito de nada servem para acolher uma mulher que sofreu um abuso, seja em qual grau for, até porque todo abuso é grave e deve ser combatido, seja físico, moral, psicológico, verbal, etc. Acontece que muitas vezes nos vemos presas como naqueles sonhos em que tentamos acordar e não conseguimos. Nem sempre temos forças para seguir em frente sozinhas. O enraizamento machista presente em nossa sociedade nos faz ter vergonha, nos faz sentirmos culpadas, falhas, loucas, incapazes, devedoras. É muito triste observar a vida passar como uma espectadora insatisfeita, uma testemunha passiva.

Luiza comunga dessa mistura de mulheres e homens, histórias, sonhos despedaçados e outros sonhados. Essas “Luizas” que se permitiram novos sonhos. E estão vivas para criar novas realidades.  

A singularidade de cada Luiza traz à tona uma verdade da qual não podemos nos desvencilhar: somos fortes. Únicas. Imperfeitas. Dignas.

Quando a miríade de Luizas decide-se faz com que a sua decisão transforme-se em verbo de ação, concretude, realidade. 

Essa reunião de fatos que se tornou a dramaturgia de Luiza torna-se um relicário em que a única finalidade é dizer adeus! Adeus ao que não nos serve mais. Ao que nos machuca. Aos velhos hábitos de auto sabotagem. Adeus à baixa autoestima. Adeus a tudo que nos faz sentirmos inferiores. Esse adeus personifica-se na imagem de Chico, mas poderia ser uma amizade, um trabalho, um vício, qualquer relação ou situação onde haja abuso e desrespeito.

***

Luiza traz uma dramaturgia que costura histórias reais vividas por pessoas muito próximas a mim. O que ligava essas experiências era o fato de que todas as “Luizas” estavam passando ou haviam passado por um relacionamento abusivo e a maioria delas sofreu muito até entender a sua situação e ter forças para mudar a rota. Essa foi a motivação que deu origem ao textos e seus desdobramentos futuros que ainda reverberam. O primeiro deles foi o espetáculo dirigido por mim em 2017 que trazia para a cena duas atrizes interpretando “Luiza” e dois atores interpretando “Chico”. O processo de criação durou um ano e, desde sua estreia, os retornos sempre traziam relatos como “Nossa, me identifiquei. Já vivi isso”. “Acho que estou vivendo isso”. “Tenho uma amiga que...” “Um tio meu era assim” “Me vi em Luiza”.

Quando em 2019 tivemos de dar uma pausa no espetáculo, “Luiza” foi pra gaveta das lembranças, mas como Eco em sua caverna, permaneceu ecoando em mim...

Com a quarentena, a sede de estar no palco está difícil de ser saciada e muitas pessoas tem buscado, assim como eu, meios de se expressar, de conectarem-se com o mundo através da Arte. Andei às voltas com experiências a partir de textos do Heiner Muller, Nelson Rodrigues, Shakespeare até que um dia minha gaveta deu um sobressalto e, de soslaio, vislumbrei Luiza ali escondidinha, louca para sair. A primeira experiência que fiz a partir daí resultou num material em vídeo de quinze minutos que inscrevi em um edital da Secretaria de Cultura de Jundiaí. Amigos e amigas que assistiram ao resultado comentaram: “Poxa, muito bacana ver você como Luiza”, “Por que você não adapta para um solo?” Pronto!!! A ideia não saiu da minha cabeça. Mas como ensaiar um solo nesse momento? Tentei em casa, mas não consegui. As vozes das pessoas que assistiram ao espetáculo e ao meu primeiro vídeo vieram à tona em minha cabeça, novamente a Ninfa Eco me guiando... Convidei amigos atores e amigas atrizes aos quais tenho imensa admiração e pedi que lessem o texto, depois ofereci trechos de “Luiza” e pedi que dessem voz a eles como o corpo e a intuição lhe pedissem... O material criado tornou-se um relicário heterogêneo, um coro de vozes e histórias de vida que desaguaram em Luiza nessa experiência que é buscar o Teatro por meio do vídeo. Enquadramentos e edições à parte, a coisa toda não se finda aí, ela reverbera como as águas de um rio, como os ecos em uma caverna, como a vida que nos reinventa a todo instante.

Dramaturgia, Concepção e Edição: Priscila Modanesi

Atuações de: Aline Samsa, André Farias, Cláudio de Albuquerque, Flávia Thainá, Herberth Vital, José Renato Forner, Lisete Pecoraro, Maíra Rodrigues, Marcial de Asevedo, Marisa Saconi, Priscila Modanesi, Rosana Ferrari, Taline Jovaneli

Confira o trabalho completo nesse vídeo::

https://youtu.be/mJsqYD9OUsI

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021


 

Prelúdios Poéticos

Faço teatro desde a tenra idade de 12, 13 anos. Surgiu de maneira despretensiosa, porque eu era muito tímida e adorava escrever, então na disciplina de Educação Artística tivemos um trabalho que consistia em criar e encenar uma peça de teatro e todos na sala apontaram para mim porque eu era a “menina que escrevia”. Sem saber exatamente o que era o teatro, mas ávida por agradar debrucei-me e escrevi um pequeno texto. A partir daí nunca mais pude me desvencilhar dessa busca pela arte do teatro. E, sem muitos recursos e nem mesmo Internet nessa época, as minhas ferramentas foram os livros e o auxílio dos professores.

No sexto ano, a professora de Língua Portuguesa me emprestou “Hamlet”, do dramaturgo inglês William Shakespeare, com a seguinte frase: “Fique com o livro o tempo que precisar. Você vai ler e talvez não entenda muito agora, mas leia que essa obra será muito importante para você no futuro”. Passei meses às voltas em tentar decorar nomes como “Rosencrantz” ou “Guildestern” e atônita com tudo que lia. Anos depois, estaria na faculdade encenando o próprio Hamlet num exercício de cena.

Assim, de maneira mais intuitiva que técnica, um bando de jovens que, igualmente a mim, gostavam de teatro, passávamos horas ensaiando a mesma cena e eu, claro, nas funções de diretora e dramaturga. Nessa época, já queria algo que, na minha santa ignorância, chamava de “expressão corporal”. Queria desenhar uma cena em que o corpo falasse mais que as palavras, mas não possuía nenhuma ferramenta teórica para explicar isso aos amigos atores. O corpo, naquela época, era objeto de resistência e curiosidade, restrições e conflitos. E, sem meios de concretizar minhas nebulosas inspirações, o máximo que conseguia era colocar uma “dancinha” para abrir as peças que funcionava como um resumo coreografado do que ia acontecer. Essa era a parte que eu mais gostava e a que meus amigos atores mais queriam que fossem tiradas da encenação.

Um certo dia, o vi dançar em cima de uma mesa, com um vestido branco. Chorei. Ele representava ali tudo que eu nunca soube nomear, aquilo que intuitivamente pretendia vir a ser e a fazer.

Ele, Marsial Asevedo, mineiro, ator, discípulo de Renato Cohen, seguidor das fadas e xamã estava naquela mesa, naquela cidade do interior, com a sua dança pessoal, as suas partituras, a sua expressão. Foi ele o meu mestre, quem me apresentou Artaud, Laban, Peter Brook, Maria Callas, Neil Gaiman, Renato Cohen e a Performance Art, Kazuo Ohno e o Butô e Pina Bausch com seu Tanztheater Wuppertal.

Quando entrei com contato com os vídeos do Tanztheater Wuppertal os meus olhos devorarem aquilo tudo e eu repetindo: “é isso!”. É isso! Para nos expressarmos algo tem de nos mover, interna e externamente e, ao ver o trabalho de Pina Bausch, meu mundo inteiro se moveu. E, desde aquele momento, sabia que jamais poderia ignorar a existência desse fato. A partir daí, meu fazer teatral se resume nessa constante busca do corpo e suas possibilidades poéticas e estéticas na cena.

 



quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Crônica de uma amor de Verão ou Sobre como ela fugiu de um possível romance


Era começo de noite numa cidade do interior. Verão quente, muita gente na rua. Na praça, uma banda local tocava clássicos do rock para demarcar a abertura do Festival de Verão. Cheiro de churros, cachorro quente, batata frita. Jovens, crianças, senhores e senhoras.
Dentre tantas pessoas ali presentes, eles se olharam. Ambos bebiam cerveja da mesma marca. Ele se aproximou. Arrumou assunto. Ela sorriu. Respondeu. Momentos depois descobrem que são da mesma cidade. Sem dúvida, uma daquelas coincidências felizes do destino. Ela estava li de férias, com as amigas. Ele, acompanhando o filho e o time de futebol juvenil. Trocaram telefone. Combinaram de se ver noutro dia. Viram-se. Beijaram-se. Combinaram se encontrar na cidade em que moravam. Encontraram-se. Conversa solta. Algumas cervejas. Muitos beijos.
Aparentemente, ele é um desses caras legais. Tranquilo. Idade boa. Uns olhos que faíscam. Educado. Gentil.
A promessa positiva de uma afeição era nítida, mas do nada, ela fugiu. Disse que não queria mais vê-lo. Ele, muito educado, disse que tudo bem, mas que estaria ali caso ela mudasse de ideia. Ele pensou ter feito algo. De fato, não havia feito nada. Para ela, era muito difícil explicar seus motivos sem parecer ser uma moça muito complicada. Então, optara pelo caminho mais fácil: fugir. A questão era conviver com sua consciência e uns apertos furtivos no coração que insistia em querer vê-lo, falar com ele, tentar. Mas, ao mesmo tempo em que esses pensamentos ganhavam força, outro alarme soava: ansiedade, insegurança, medo, relacionamentos passados ainda lhe causavam pânico. Será que aconteceria tudo novamente? E se ela não quisesse mais e ele começasse a persegui-la? Será que ele entenderia que sua prioridade eram os filhos? Que seus horários eram malucos? Que ela se enxerga velha e se sente infeliz com o próprio corpo? O número de inquietações a sufocava. Sim, era melhor fugir.
Um dia lhe disseram que ela estava repetindo os padrões. Queria muito um amor, mas toda vez que alguém surgia, corria que nem diabo da cruz. Ela riu. Depois calou. Seria verdade? E, se fosse, como sair daquele ciclo? A explosão de sentimentos fez com que ela chorasse um pouco. Voltar às lembranças do passado era dolorido. Será que não haveria uma nova chance para ela? Fugiria para sempre?
Procurou no celular o telefone dele. Com receio de fazer contato, afinal ela que havia dito que era melhor não se verem mais. Arriscou um bom dia. Ele respondeu, instantes depois. Rolou conversa. Rolou a possibilidade de um encontro.
Nesse momento, ela escreve umas palavras de incentivo para si mesma. Respira fundo. Foca-se em outras coisas. Ela não tem a mínima ideia sobre o que vai acontecer. Se vai ser bom. Se vai valer a pena. Se vai controlar a ansiedade. Nem tem certeza se foi uma boa ideia marcar o encontro. Olha a dúvida surgindo aí...
Ela vai colocar uma música bem alto astral agora e escrever para umas amigas. Enviar memes. Ver Netflix. Comer chocolate.Chega de pensar. Agora não.


Priscila Modanesi

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Luiza _ ou sobre uma canção que ela nunca soube cantar

em 09 de junho de 2018, o NÚCLEO HÍBRIDO DE PESQUISA CÊNICA, apresenta seu novo espetáculo " Luiza _ ou sobre uma canção que ela nunca soube cantar", no espaço TEATRO ESTRADA, em Indaiatuba, às 20h.
os ingressos já estão à venda no local e custam R$30,00 (inteira) e R$15,00 (meia).
a classificação indicativa é 14 anos


Sinopse

Luiza grava uma série de pequenos vídeos para seu marido, onde relata os motivos que a fizeram tomar a decisão de acabar seu casamento. Sem coragem de encará-lo frente a frente, utiliza esse recurso para dizer tudo que reverbera em seu coração; Enquanto faz as malas, Luiza relembra momentos vividos ao lado de Chico, que transitam entre a alegria e a tristeza, a paixão e a dor, a cumplicidade e a traição. O apartamento vai ficando vazio, mas Luiza mantém-se firme em seu propósito. Mais tarde, Chico chega em casa e recebe algumas mensagens em seu celular... Mas Luiza não estará lá para recebê-lo. Não mais.

Encenação

A pesquisa do espetáculo mergulha em conflitos do relacionamento de Chico e Luiza. Amor, casamento, traição, relações abusivas são temas que perpassam sua trajetória. Para ela, tomar a decisão de fazer as malas e botar o marido pra fora de casa não é simples. Cada camisa dobrada, cada detalhe no apartamento, cheiros que lhe trazem lembranças ... Mas Luiza segue. Decide dar um voto de confiança à sua autoestima e liberdade. E continua arrumando malas... A dramaturgia foi composta a partir da coleta de histórias reais vividas pelos integrantes do grupo e costuradas através das personagens Luiza e Chico. A encenação parte do Teatro Físico e da Dança-Teatro de Pina Bausch como linhas de pesquisa para sua construção. Em cena, dois atores representam Chico e duas atrizes representam Luiza, simbolizando e complementando estados e momentos diferentes de suas vidas.


Ficha Técnica

Dramaturgia e Direção: Priscila Modanesi
Elenco: Cicero Inácio | Geam Marcelo Campos | Taline Jovaneli | Tatá Nascimento
Participação Especial em Off : José Renato Forner
Fotografia: Bruno Pavini | Laerte Aparecido
Colaboração: Cláudio de Albuquerque
Criação de Luz: Lukas Lima
Figurinos: Taline Jovaneli
Cenários, sonoplastia: Priscila Modanesi
Desenhos: Giovanna Pontes
Operação Técnica: Maíra Rodrigues | Lukas Lima
Concepção: Núcleo Híbrido de Pesquisa Cênica
Produção: Cine a Vapor Produções Culturais

teaser


sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Se você se cala diante de uma situação de preconceito, colabora para que ela continue existindo.
Mulheres, sejam corajosas e falem dos abusos que sofrem... e não é só abuso sexual não!!
As mulheres são cobradas diariamente: corpo perfeito, peso ideal, pele macia, cabelo deslumbrante, tem que ser boa mãe, boa amante, inteligente (mas nem tanto assim!).
As mulheres divorciadas e com filhos são, em sua maioria, excluídas do rolê (!). Grande parte dos homens nutre profundo preconceito contra as mulheres nessa situação. Ela pode ser bonita, independente, e ter milhões de outras qualidades, mas não servem!
Homens, não tenham medo dessas mulheres. Elas não estão à procura de um pai para seus filhos. Eles já os tem. Elas precisam de amor, carinho e companhia. Elas precisam de afeto e tem todo direito de recomeçar sua vida. Talvez possuam certas restrições. Talvez suas prioridades estejam depositadas nos filhos... Mas isso não invalida, não elimina, não a tira de combate.
Por que só o homem divorciado e com filhos tem direito de recomeçar? Por que é tão bonito um pai divorciado que fica com seus filhos de fim de semana e uma mãe não?
Essas mulheres são fortes. Passaram por momentos difíceis. Elas provavelmente cuidam da casa, dos filhos, do trabalho, são responsáveis financeiras de uma boa parte dos gastos familiares. Essas mães sentem-se sozinhas como mulheres.

Mulheres, não se calem. Quantas de vocês estão vivendo essa situação nesse momento? E choram caladas com vergonha de expor que também precisam de carinho e atenção? E ficam quietas porque sabem que o pensamento machista vai te destruir? Talvez nós mulheres não tenhamos como mudar esse pensamento, mas podemos deixar claro! Podemos falar! Incomodar. Cutucar. Repensar.

Priscila Modanesi

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Eu mesma

ah... que estranha forma de amar...
e causar dor e mágoa a quem se ama
um peito ferido, sangrando
longe, numa rua sem árvores, sem nuvens
sem música, uma rua fúnebre
onde o amor guardado, machucado, não espera perdão
nem piedade
não pensa em voltar
nem em telefonar
nem ao menos diz olá
esse amor conturbado
mitificado
e antigo
mora ainda no mesmo lugar
porém a geografia mudou
o horário de verão chegou
eu dancei
você dançou
quem de nós é o mesmo?
quem de nós curou-se?
quem de nós deixou a utopia para viver em paz?
não sei, não me peça explicações
só aceite essas palavras
como versos chorosos
como lembrança tardia
como um jeito de te rever
porque algumas almas só encontram meios de amar assim
no instante em que o corpo no precipício
precipita-se...
precisa-se
é preciso
preciso
priscila
modanesi.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

fome

"Agora que já te devorei, percebo: você me devorou!
ambos consumimos um ao outro: banquete e deleite.
...A pele ferve, suor é prazer em estado líquido..."

P. Modanesi

guirlandas


Eu sempre estive aqui...
Se você escapou por entre meus dedos, achando que ia de encontro à liberdade
Se você imaginou horizontes em geometrias perfeitas
Se você quis ver as maçãs caírem em árvores de outros lugares...
Mas eu sempre estive onde estou
e nenhum passo meu foi dado sem deixar vestígios
Tudo que semeei... cerquei com nossas guirlandas de sonhos comuns
todo esse tempo, você escapou em busca de liberdade
porém só podemos desfrutar a liberdade juntos
porque eu sei da sua natureza
e você conhece secretamente as frutas que eu gosto, os passarinhos que eu persigo e as nuvens quem me encantam...
P. Modanesi

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Confissão

às vezes choro, porque a saudade é intensa;
engraçado como o amor e a tristeza se materializam fisicamente;;;
tenho dores no estômago e calafrios...
tenho insônia.
por você eu rio e choro ao mesmo tempo.
ou ainda, por você eu ri e hoje choro todo o tempo;
por mais que a vida tenha colocado pontes intransponíveis,
o amor, cego que é, não as enxerga
ele só tem capacidade de sentir
e reage, quando contrariado, de maneiras nada agradáveis.
Tenho sonhado. Várias noites. Sonhos que se repetem.
Percebo meu inconsciente gritando.
mas que se há de fazer?
inconsciente, alma e coração lutam cada qual sua batalha
para tentar te esquecer
nesses momentos um chá de esquecimento cairia bem;;;
já não tenho forças pra qualquer coisa.
simplesmente me saboto
finjo que não me ouço. me ignoro. me esqueço.
não há mais nada a dizer e nem a escutar.
não há caminhos seguros que me aproximam de você.
mas não há como voltar atrás. regredir.
vou até onde a vida me levar
em minha bagagem secreta sempre carregarei nosso universo particular.
com as dores e as alegrias que compartilhamos;
há dias que a ferida sangra sem meios de remediar.
outros em que estou entorpecida demais e não sinto nada.
há dias que sinto alegria pelo que vivi...
e há dias, como hoje, que tento transformar tudo isso num relato...
num desabafo, numa confissão; mesmo sabendo que você jamais irá ler.

Priscila Modanesi

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Fase Regional | Mapa Cultural Paulista 2015

O Núcleo Híbrido de Pesquisa Cênica representa Jundiaí na Fase Regional do Mapa Cultural Paulista 2015, na Categoria Teatro.
O espetáculo a ser encenado é Rapunzel - Onde nasce a Primavera.
A apresentação será no dia 14 de outubro, quarta-feira, às 20h, no Auditório Municipal de Valinhos.


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

A Odisseia - The Paper Cinema



Em ‘A Odisseia’, de Homero, o rei Odisseu ainda não retornou à sua casa, mesmo depois de 9 anos após o fim da Guerra de Troia. Durante sua ausência, seu reino foi sitiado e todos os seus bens, assim como sua esposa são disputados, mas o seu destino e o destino de seu povo está nas mãos dos Deuses, com todos os seus encantos e caprichos. O grupo inglês The Paper Cinema, reconta esta obra e utiliza-se de bonecos desenhados à mão que são animados através de um cinema feito ao vivo, assim como a música que acompanha toda a ação.




Uma co-produção The Paper Cinema e Battersea Arts Centre



Composição Musical: Christopher Reed, Ed Dowie, Katherine Mann and Matthew Brown
Dias 16 e 17 de setembro, às 20h, no Sesc Jundiaí

www.sescsp.org.br/jundiai


sábado, 29 de agosto de 2015

DOROTHY

Embora ela, eternamente apaixonada, saiba que além dos portões existem outros mundos, com horizontes menos vorazes...
Embora algumas pessoas a cativem, sabe que precisa pensar em si...
Embora ela queira ficar, vai embora!
E a estrada terá todas as cores que deseja...
E o reino não possuirá tiranos, apenas artistas, -de verdade-,
Não pseudo-artistas...
Seu castelo é o próprio mundo, porque as paredes limitam e os sonhos são etéreos, não se prendem...
- Dorothy... Um dia você volta?
- Um dia é muito pouco... Jamais voltamos pro mesmo lugar de onde saímos... porque nos modificamos a todo momento... Eu não volto não... Eu vou além, sempre!

[p. Modanesi]

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Papais e Mamães.... Toda Família!!

Dica imperdível pra esse fim de semana:

AS CASAS
[COLETIVO DE VENTILADORES]




João Redondo e Antônio Quadrado são dois cidadãos comuns, vizinhos, que habitam numa cidade como qualquer outra do mundo. Eles possuem um ponto em comum: a paixão pela música e pelos livros. E outro ponto que os diferencia: a maneira que eles se relacionam com o lixo produzido. A partir das histórias de vida de cada um deles, os espectadores serão conduzidos à uma reflexão sobre o planeta e sua sustentabilidade.

Direção: Fábio Supérbi e Juliana Notari

Onde? No Sesc Jundiaí
Quando? Dias 29 e 30 de agosto, às 11h





http://www.sescsp.org.br/programacao/69669_AS+CASAS

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Check list da manhã

Acordar pela manhã
olhar o céu
sentir o clima
fazer um café
ao som da música preferida
pensar, de leve, nas coisas a fazer
dizer bom dia para pessoas importantes
em sua vida,
mesmo que virtualmente.
Tomar um banho com calma
prestar atenção na água que cai no corpo
mentalizar a negatividade indo embora
usar um perfume gostoso
pentear os cabelos tranquilamente
alongar o corpo
limpar a casa, ainda que apenas um cômodo
colocar as coisas no lugar
jogar fora o que está em desuso
respirar. cantar.
pensar em coisa boas
definir prioridades para o dia
abraçar alguém especial
sair de casa feliz para o trabalho
afinal, ele é a base do seu sustento
no caminho, observar ao redor
rezar em silêncio para o seu Deus
buscar o riso e a cordialidade
ler poesia, consumir arte
dizer "eu te amo" quantas vezes for necessário
não passar vontade
cometer pequenas "gordices"
sem peso na consciência
tomar chá
tomar água
comer frutas
olhar o entardecer e sentir-se parte dele
tentar, ainda que seja difícil,
colocar a negatividade fora da mente
fora da pauta
assistir um desenho animado e rir
não dar tanta importância para o que não se pode resolver
sentir o anoitecer
curtir a casa
o silêncio
chamar os anjos
tem um bom papo com eles
dizer boa noite para seu amor
aconchega-se em seus lençóis
e ter lindos sonhos
conforme combinado com seus anjos da guarda.

|Priscila Modanesi|

terça-feira, 7 de julho de 2015

Há certo tempo, vivia pelos arredores uma jovenzinha que igualmente a você adorava desrespeitar as regras de sua mãe; Sua pobre mãe dizia: Filha, não vá pelos caminhos da floresta, há perigos demais! Mas a jovenzinha, escondida de sua mãe, enfiava-se em sua capa vermelha e partia a aventurar-se. Voltava sempre antes do anoitecer. Mas um dia, um som hipnotizante a fez ficar quando a Lua era alta no céu e sua mãe desesperada com o sumiço, saiu em busca da filha... Porém, a única coisa que encontrou foi a velha capa vermelha... E, em cima da capa, descansava satisfeito um grande lobo, que havia saciado sua fome devorando a jovem!

terça-feira, 7 de abril de 2015

Deriva.

O amor e suas implicações que não se medem em ampulhetas
nem em fórmulas matemáticas
nunca se sabe que riquezas pode encontrar
às vezes somos o tesouro
noutras o pirata
por vezes um mapa

há dias em que me sinto o velho papagaio caolho no ombro do pirata...
anunciando os horizontes à vista mesmo sem compreender de imensidão e direções exatas...

há dias em que a bússola não sabe pra onde me direcionar
e fico à deriva...
no meio do amor... no meio do mar
as ampulhetas quebradas
a matemática que eu nunca soube utilizar...
nada me guia nesses momentos de mergulho cego
eu sou um náufrago
eu sou um vendedor de peixes
eu sou o que tece a rede do pescador
eu sou a espuma. o marulhar...
eu sou Iemanjá.

Priscila Modanesi